31 agosto 2009

Liberdade e Repugnância

Batia desesperadamente na porta marron e estreita, Paulo acabara de fazer o mais ridículo de seus comentários, poderia ter ficado no mesmo casual, mas a promessa feita de nada esconder um ao outro, já lhe pesara demais a cabeça. Sônia, tranqüila, continuava trancada no banheiro sem nenhuma culpa a lhe pesar a atitude, ao contrário, sentia-se incompreensivelmente triunfante! Ele batia.Ela sorria, indiferente e fria.Algum rancor completava o coração da mulher que apesar de ter traído muito, jamais admitira que não fora amor. Durante muito tempo podiam jurar morte pela vida do outro, e ainda assim a própria morte cegavam neles um desejo infantil de estarem juntos eternamente, era um sentimento insano, de posse e carinho com gosto de séculos passados, como se pudessem ter sido todos os casais apaixonados ao mesmo tempo.Sussurravam juras, fizeram-se promessas e o amor se fez um só, por noites e noites, onde os corpos se fundiam; e com a mesma intensidade, se beijavam loucamente, entrelaçavam as línguas doentes por uma vida tardia, um desejo sem dor. Tic tac...os minutos passavam....Toc Toc....Quase derrubava a porta por desespero de consciência, Paulo precisa questionar que, embora tivesse beijado outra, não havia traído, havia sentido uma repulsa pelo maldito beijo e ao mesmo tempo uma incrível sensação de desprezo pelo próprio ato, como se liberdade e repugnância fossem uma só. Sabia ele, terminaria só; os amigos tentou evitar desde de quando firmou um certo medo por Sônia, desde de quando ela passou a manipular sua instintiva voracidade masculina, as amigas, nem mencionarei! Até sentia falta das segundas intenções que lhe eram proporcionadas nas mesas com estas. Inclusive, mulher é o cão! Como elas podiam perceber o perigo?Sônia tinha o dom de descobrir exatamente quem eram as mulheres que lhe cobiçavam o marido.Embora ele achasse chato, admirava muito essa percepção de sua mulher. Esta, traída, era satisfeita, tinha o seu homem a aclamar-lhe a atenção e ainda sua consciência de beijos cedidos, a outros homens, diminuída. Sentia-se dona da situação.E era. A porta rangia. Ouviam-se gritos loucos de alguém que desejava voltar ao tempo...Porém, Paulo não se arrependia, também era dono da situação e faria tudo novamente se oportunidade tivesse.E fizeram.

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