
04 janeiro 2010
A casa amarela

O dia só tem 24 horas
E me perdi das casas amarelas
Que costumava construir meu avô
Reflexivas ruas antigas
Onde ele caminhou cheio
De pensamentos; Preocupado
Com o que hoje não passa
De seu descanso
A criação preta e branca de seus filhos
Embaçaram os fatos com o tempo
O dia só tem 24 horas
E as horas realmente passam
Em pouco viram anos, séculos
E nunca estou preparada
Desculpa sempre... Nunca desculpa
Alheia a tudo, não me importa nada
Apenas encontrar a casa
Dentro do beijo do meu avô
Que se inclinava até a testa
E saía... Indiferente e carinhoso
O dia só tem 24 horas
E vejo que termino sempre só
Meus pais embarcaram no último trem
Sorrindo e acenando com as mãos
Eles brigavam, mas o cordão umbilical
Foi desproposto e amarelado
Como a casa que nem cheguei
A visitar
Pois estava sem luz, sem móveis
E sem a idéia de construção e
Cimento
O dia só tem 24 horas
Gira mundo em meu redor à toa
Colorido, cinza, verde...
Vez amarela
Como a espera de voltar à felicidade
Que faltou
Mas os risos ainda bem funcionam
Raspa... Passa... Pára... Desaba
Só não a casa amarela
Que construiu meu avô.
03 janeiro 2010
Tempo

Assisto no relógio
A história que me circunscreve
E pouco a pouco
Não passa, transforma!
Busco algo na bolsa
E me perco dentro dela
Como um tropeço abstrato
Que depois do tento, mudo.
Deformo o invento
De forma que ainda insiste o leitor
na sonoplastia
E passo a passo assiste o relógio
Desinforma o que virá
Ativa a volta do estado de graça
No bairro, na praça, no banco
Minimalizo a vida, os fatos
E volto a ser criança
Felicidade falida

Gosto do que desesperadamente falta
A caixa de fósforo
Com um palito queimado e cinzas
Que outrora serviu de despejo
Faltou cinzeiro, acaba o incenso, suja a cozinha.
Simbolizo meu querer à geladeira vazia
Apenas água e insosos temperos
encrostrados na porta junto às cascas
de ovos que colaram por desespero.
Gosto do desgosto da saudade selecionada
O choro plastificado das dores
Trouxe respostas e outros sonhos
Buscas incessantes de qualquer chance
( sem perspectivas!)
Gosto da falha pesadamente acidental
Numa construção artística que surge lento
Mas não consegue voar e ainda assim
Conhece a sensação de corpo suspenso.
30 dezembro 2009
Multipersonalidades
Pessoas
conversam
no meu
pensamento.
E sequer
as entendo...
São vultos
despretenciosos
de outros
momentos.
Tempos modernos estes!
conversam
no meu
pensamento.
E sequer
as entendo...
São vultos
despretenciosos
de outros
momentos.
Tempos modernos estes!
Ausente
29 dezembro 2009
Pontuações...
Ponto final abre novos caminhos
Seguimos pela linha do tempo
Cambaleando-se pelos mitos
Sozinhos; assim como nascemos!
O choro se despede à barriga
O medo retoma feito dor que não se acaba
Agora ao mundo vaga
Está ao consumado!Concebe-se nova vida!
Vírgulas, aspas e um consolo
Etapas duma vida curta
A nova página fatal.
Parêntese, interrogações natas!
Exclamações em maravilhada vista
Isto é vida, e três pontos no final.
Seguimos pela linha do tempo
Cambaleando-se pelos mitos
Sozinhos; assim como nascemos!
O choro se despede à barriga
O medo retoma feito dor que não se acaba
Agora ao mundo vaga
Está ao consumado!Concebe-se nova vida!
Vírgulas, aspas e um consolo
Etapas duma vida curta
A nova página fatal.
Parêntese, interrogações natas!
Exclamações em maravilhada vista
Isto é vida, e três pontos no final.
Assinar:
Postagens (Atom)
