03 janeiro 2010

Felicidade falida





Gosto do que desesperadamente falta
A caixa de fósforo
Com um palito queimado e cinzas
Que outrora serviu de despejo
Faltou cinzeiro, acaba o incenso, suja a cozinha.

Simbolizo meu querer à geladeira vazia
Apenas água e insosos temperos
encrostrados na porta junto às cascas
de ovos que colaram por desespero.

Gosto do desgosto da saudade selecionada
O choro plastificado das dores
Trouxe respostas e outros sonhos
Buscas incessantes de qualquer chance
( sem perspectivas!)

Gosto da falha pesadamente acidental
Numa construção artística que surge lento
Mas não consegue voar e ainda assim
Conhece a sensação de corpo suspenso.

30 dezembro 2009

Multipersonalidades

Pessoas
conversam
no meu
pensamento.
E sequer
as entendo...
São vultos
despretenciosos
de outros
momentos.


Tempos modernos estes!

Ausente





A tuberculose era o poema
Há décadas
Numa
Determinada
Época preta e branca

E ainda se ouvem ruídos
das tosses remanecentes

29 dezembro 2009

Pontuações...

Ponto final abre novos caminhos
Seguimos pela linha do tempo
Cambaleando-se pelos mitos
Sozinhos; assim como nascemos!

O choro se despede à barriga
O medo retoma feito dor que não se acaba
Agora ao mundo vaga
Está ao consumado!Concebe-se nova vida!

Vírgulas, aspas e um consolo
Etapas duma vida curta
A nova página fatal.

Parêntese, interrogações natas!
Exclamações em maravilhada vista
Isto é vida, e três pontos no final.

14 novembro 2009

Sem título

Algum.
Sem previsibilidade.
Sem nome.
Sem a data
Pra não ter idade.
Simplesmente nada.
Apenas palavras com fome
Nadando por fontes
Que lhe indiquem o caminho.

Poemeto injuntivo

Faça como quiser
Qual será o resultado?
De um jeito qualquer
Faça!
E a coisa sairá (...)
Uma coisa qualquer.

Tempo Perdido

Sentia-me uma diva
Até que o conto virou
Clichê
De tanto esperar você
A noite virou dia.